"Qual o próximo Ásana, Mariana?"
Olho, sorrio, e posiciono-me em Chatuspádásana. Continuo a sorrir e passo à
variação Utthita. Sorrio. Aguento mais tempo do que julgava conseguir - na
verdade, não me lembro de sentir as cartilagens dos dedos a reclamar. Mas sinto
o peso já em excesso, e tomo consciência de que ultrapassei o limite. Saiu de
Utthita. Sorrio. "Muito bem, Mariana, foi muito bom". Sorrio mais.
Mas começo a perder a força. Ele percebe. "Não me deixes aqui sozinho, não
Mariana". E vacilo, mas insisto e fico. Sinto a face muito quente. O corpo
lateja e treme. Alivio ligeiramente a pressão, mas diz-me logo "Não me
deixes sozinho, Mariana, não! Tu consegues, são os teus limites estão a ser
ultrapassados.", e fico de novo, cerro os olhos, os dentes, e concentro-me
na respiração. Estou a ultrapassar algo novo. Perco toda a força - superei-me.
Deito a face no chão, o corpo deixa-se inerte, esticado. "Muito bem,
Mariana (: São os nossos limites que temos de superar a cada dia. Muito
bem" Sinto a felicidade em cada músculo.
Sorrio.
Ele retribui o sorriso, em Alemão (:
Não são os anos de casa que fazem um bom instrutor, mas sim aquilo que o
move. O sentido, as ideias, os sentimentos. A vivência. As palavras certas. A persistência
e o acreditar. Nunca é apenas mais uma prática ou mais um dia a instruir - é
sempre um novo momento, um novo sorriso, uma nova ideia. Bháva. Saber.
Conhecer. Perceber. Ensinar. Deixar-se ser ensinado.
Há algo especial, e chama-se Amizade.
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